Companheiros de time acreditam que o craque está preparado para o comandar a Seleção rumo ao hexa. Camisa 10 em 90, Silas se preocupa com o emocional
Neymar é um jogador precoce. Ainda franzino e de cabelo raspado, pisou em campo pela primeira vez como profissional do Santos com apenas 17 anos, contra o Oeste, em março de 2009, no Pacaembu. O enorme talento fez com que o garoto assumisse muito cedo o protagonismo, seja nos clubes ou na Seleção. Isso fica mais evidente quando o craque se vê diante do principal desafio da sua carreira já aos 22 anos: comandar o Brasil rumo ao hexacampeonato em casa. Será este peso que o jovem terá que carregar nesta Copa do Mundo.
E outro elemento faz aumentar ainda mais a responsabilidade de Neymar. Ao entrar em campo com a camisa 10 contra a Croácia, nesta quinta-feira, na Arena Corinthians, o craque se tornará o jogador mais novo a utilizar o místico número em Mundiais desde Pelé na Copa de 1958, na Suécia - o Rei tinha apenas 17 anos. Nada disso, no entanto, parece mexer com a cabeça do garoto. Relaxado, ele se diz honrado com a condição, mas prefere minimizar o protagonismo.
- É um orgulho vestir o número que muitos craques já vestiram. Estou preparado para ajudar meus companheiros. Não jogo sozinho. São 11 jogadores dentro de campo, fora os demais. Todo mundo sabe do seu papel, o que tem que fazer em campo. Se for assim, nosso time pode ir muito longe - sentenciou.
Agora coordenador técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira segue nesta linha. O tetracampeão mostra confiança no potencial de Neymar, mas trata de tentar tirar a pressão sobre os ombros do craque do Barcelona.
- O craque faz a diferença de um lance e de outro, e o Neymar se encaixa exatamente nisso. Ele é o nosso grande jogador, mas ele sozinho não vai ganhar a Copa do Mundo. Ele vai ganhar com uma equipe por trás, como foi com Maradona, Romário, Pelé e todos os jogadores que se sobressaíram numa Copa do Mundo. Sempre tiveram por trás uma equipe - disse Parreira em entrevista na Granja Comary.
- O craque faz a diferença de um lance e de outro, e o Neymar se encaixa exatamente nisso. Ele é o nosso grande jogador, mas ele sozinho não vai ganhar a Copa do Mundo. Ele vai ganhar com uma equipe por trás, como foi com Maradona, Romário, Pelé e todos os jogadores que se sobressaíram numa Copa do Mundo. Sempre tiveram por trás uma equipe - disse Parreira em entrevista na Granja Comary.
Cientes do desafio que Neymar terá pela frente, os companheiros de Seleção oferecem suporte para a principal estrela. O volante Luiz Gustavo, por exemplo, acredita que a pressão não vai afetar o camisa 10, e sim servir como um estímulo para ele mostrar seu bom futebol.
- Nós temos nos pressionado bastante por querermos aproveitar essa oportunidade, jogar todos os jogos da melhor forma. Com ele não é diferente, moleque preparado, sabe a chance que ele e nós temos de jogar essa Copa no nosso país. Com certeza está motivadíssimo, e essa pressão, tenho falado sempre, é positiva de todas as pessoas estarem nos apoiando em busca do objetivo principal. Ele vai fazer uma grande Copa do Mundo - disse o volante Luiz Gustavo, também titular da seleção brasileira.
- Nós temos nos pressionado bastante por querermos aproveitar essa oportunidade, jogar todos os jogos da melhor forma. Com ele não é diferente, moleque preparado, sabe a chance que ele e nós temos de jogar essa Copa no nosso país. Com certeza está motivadíssimo, e essa pressão, tenho falado sempre, é positiva de todas as pessoas estarem nos apoiando em busca do objetivo principal. Ele vai fazer uma grande Copa do Mundo - disse o volante Luiz Gustavo, também titular da seleção brasileira.
Camisa 10 mais novo antes de Neymar, Silas é cauteloso
Antes de Neymar, o mais jovem a utilizar a 10 da Seleção em uma Copa do Mundo fora Silas, em 1990, na Itália. O jogador tinha 24 anos, mas já com o Mundial de 86 no currículo, quando foi reserva. Ele cita outros jogadores importantes que passaram pelo aprendizado e acredita que este fator pode fazer falta para Neymar neste momento.
- Fui novo e já tive o respaldo do Zico e de outros jogadores. Fui para aprender, coisa que aconteceu com Kaká, Ronaldinho... Já tinha uma Copa na bagagem e tinha sido campeão da Copa América. Mesmo que ele tivesse só assistido à Copa em 2010 e não tivesse entrado, seria bom para ele sentir e perceber como são as coisas em uma Copa do Mundo - alertou Silas, em entrevista por telefone.
Silas também se preocupa com o lado emocional de Neymar. Para o ex-jogador, o craque tem se mostrado vulnerável neste sentido. Um exemplo é a irritação demonstrada em alguns momentos nos amistosos contra Panamá e Sérvia.
- Acho que o único problema que ele pode ter, e que o pessoal das outras seleções pode tirar proveito, é a questão emocional. Contra o Panamá, que era um jogo que não envolvia nada, ele tomou um cartão amarelo e poderia ter sido expulso. Contra a Sérvia não, mas poderia ter tomando em algumas situações. Ou seja, em uma Copa ele já estaria fora no terceiro jogo. É preciso fazer um trabalho contínuo com o Neymar. Ele teria que ser neste momento como o Messi no comportamento. Só jogar. Isso ele sabe fazer - aconselhou.
Outros dois jogadores do Barcelona também vestiram a camisa 10 da Seleção em um Mundial. Em 1998, Rivaldo, com 26 anos, teve essa responsabilidade na França. Tudo correu bem até a final, quando o Brasil caiu para os anfitriões por 3 a 0 e amargou o vice-campeonato. Oito anos mais tarde foi a vez de Ronaldinho conviver com essa pressão na Alemanha. O gaúcho fez uma Copa do Mundo discreta, e a equipe acabou eliminada nas quartas de final, em nova derrota para França por 1 a 0.
Segundo mais jovem entre os protagonistas
Apesar da pressão, pode se dizer que a Copa do Mundo no Brasil, teoricamente, ainda nem seja a do auge de Neymar. A média de idade dos principais jogadores das 32 seleções do Mundial é de pouco mais de 27 anos, cinco a mais que a idade do craque. O melhor do mundo Cristiano Ronaldo, por exemplo, chega ao Brasil com 29 anos. Messi, companheiro do brasileiro no Barcelona, tem 26. O único protagonista em sua Seleção mais novo que o brasileiro é Son Heung-min, de 21 anos, da Coréia do Sul.
No entanto, ter como principal jogador da Seleção um garoto não chega a ser um problema para Daniel Alves. Companheiro de Neymar no Barcelona, o lateral-direito o aponta como um diferencial para o hexacampeonato.
- Se a gente depende de algo que tem na mão, bem-vindo seja. A equipe que depende do Neymar tem que estar muito feliz, tem alguém em quem confiar no seu país, na Seleção. Se for colocar, chamar de dependência, é melhor ter no time do que não. Seria difícil se para ganhar dependesse de outro jogador que não está bem.