Neymar tem só 22 anos, mas se você quiser saber mais sobre o jovem jogador, não lhe faltarão opções na livraria mais próxima da sua casa. Com uma carreira longa pela frente, o prodígio já inspirou ao menos seis livros sobre a sua história ainda incompleta. O motivo? Autores e editores se dividem entre a proximidade da Copa do Mundo e o crescimento do mercado editorial.
A lista de publicações impressiona (veja todas no quadro abaixo). Neymar já foi descrito em forma de alfabeto, teve sua história relatada em contos e até a relação do jogador com seu pai virou tema de um livro. É normal tudo isso?
"Diante da trajetória dele, acreditamos que seja normal sim. É um jogador fora de série, extremamente midiático, ídolo dentro e fora do Brasil. Acho normal que se queira entender o fenômeno que o Neymar se tornou, assim como contar sua história singular", disse a Editora Paralela, que acaba de lançar "O Planeta Neymar – Um Perfil", feito pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil.
O processo é novo no Brasil. Nunca foram tão produzidos tantos livros sobre futebol quanto em 2014, enquanto em países da Europa como a Inglaterra a oferta dentro do tema é muito maior.
"As pessoas querem receber informações sobre o Neymar. O consumidor é que vai saber definir o que é bom e o que é ruim, até porque livro é um produto relativamente caro", explica Marcelo Duarte, dono da Panda Books, que editou o livro "Neymar Jr. de A a Z".
A coleção de curiosidades foi o primeiro livro oficial do jogador, aproveitando uma série que já existia na editora com grandes estrelas adolescentes, como Justin Bieber e Jonas Brothers. Neymar ainda chancelaria um livro sobre a relação com seu pai, escrito pelos jornalistas Mauro Beting e Ivan Moré e publicado pela Universo dos Livros. O livro escrito por Paulo Vinícius Coelho não tem relação comercial com o atleta e seu estafe, mas igualmente não se pretende uma biografia.
"É um perfil do Neymar. São vários textos do tamanho de uma coluna de jornal que contam aspectos diferentes da vida dele. É o livro que eu sou capaz de escrever, com o tempo que eu tenho. Não daria para mergulhar na vida do pai dele, ir até Mogi das Cruzes conhecer as pessoas da infância dele. Mas eu descobri coisas novas fazendo o livro dele, coisas que eu acho que outras pessoas não conheciam", disse Paulo Vinícius Coelho.
Em geral, a maior parte das publicações encontram um recorte da vida e da carreira do jogador para fugirem do status de biografias. Editores e autores ouvidos pela reportagem concordam que nenhum livro sobre Neymar pode ser definitivo.
Nada que se compare a um "Anjo Pornográfico", de Ruy Castro, referência em termos de biografia no país que conta a história de Nelson Rodrigues. O mesmo autor, que é colunista da Folha de S. Paulo, escreveu "A Estrela Solitária", sobre a vida de Mané Garrincha.
"É um cara que tem 22 anos, não dá para comparar. Nas biografias do Ruy Castro ambos já estavam mortos, tinham história para contar. Quem, com 22 anos, rende um grande livro? Estão aproveitando a fama dele para ganhar dinheiro. Não tem história suficiente do Neymar para render um bom livro", disse Mauricio Stycer, crítico do UOL.
"Eu tenho um respeito reverencial ao livro. O próprio Ruy Castro diz que não se pode biografar gente viva. E mais ainda. Diz que só se deve biografar depois de cinco anos da morte da pessoa", diz Juca Kfouri, jornalista do UOL Esporte e da Folha de S. Paulo.
Alguns, porém, se propõem a contar tudo da curta vida do jogador. Joaquim Piera é catalão, trabalha há dez anos no Brasil como correspondente do diário Sport, em Barcelona, e publicou "Neymar, la joya prodigiosa", editado pelo próprio jornal.
Fonte: uolesportes