Reinaldo Canato/UOL 24.nov.2012 - Engenheiros preparam Itaquerão para visita da Fifa, que será na quarta-feira, dia 28 de novembro
Houve reclamações de donos de estádios sobre a quantidade de exigências feitas para a Copa-2014. Mas a verdade é que o “padrão Fifa'' tornou-se bastante flexível no Brasil a ponto de aceitar o Itaquerão “no último minuto''. Como termo de comparação, as regras da UEFA (Federação Europeia de Futebol) não permitiriam o que ocorreu na arena corintiana.
A três dias da abertura do Mundial, o Itaquerão tinha trabalho intenso nesta segunda-feira após o atraso nas obras. Móveis eram carregados para os setores Vips, caminhões levavam guindastes, havia tapumes por todos os lados, e ainda faltava água em determinados banheiros, entre outros pontos. O acabamento das instalações provisórias era tosco, para dizer o mínimo, por causa da correria para acabá-las.
Dirigentes da Fifa ouvidos pelo blog deixaram claro que haverá itens que só poderão ser concluídos na quarta-feira como a instalação de overlays e outros itens de marketing. Esses cartolas tentam minimizar ao afirmar que é assim em todo Mundial.
Pois não é assim nas competições organizadas pela UEFA. O blog ouviu o secretário-geral da entidade, Giani Infantino, sobre o padrão adotado pela entidade na Liga dos Campeões e na Euro, principais campeonatos sob sua responsabilidade.
“Normalmente, temos que ter os estádios prontos, com todos os overlays, tudo, de duas a três semanas antes da final da Liga dos Campeões'', afirmou Infantino, que descartou preparativos nos últimos dias. Lembre-se: a decisão europeia tem repercussão mundial como a Copa.
A conclusão do estádio, então, tem que ser bem anterior. No caso da final da liga, só são escolhidos os que estão prontos. Para a Euro, a ideia é receber as arenas com antecedência similar a pedida pela Fifa para a Copa-2014, o que não foi atendido no Brasil.
“Para Euro, queremos os estádios construídos dois anos antes. Para a França, talvez, não tenhamos isso. Mas precisamos de pelo menos um ano para poder fazer os eventos-teste. Não dá para fazer sem evento-teste'', observou Infantino. Questionado sobre a falta de teste no Itaquerão, ele apenas riu.
O secretário-geral da UEFA admitiu que é bastante exigente nas suas demandas. A tal ponto de reconhecer que todos os que trabalham com a entidade sofrem com as críticas.
Há uma equipe entre 400 e 500 pessoas na UEFA para organização de partidas e campeonatos. Técnicos chegam dias antes de cada jogo para conferir procedimentos mesmo em partidas qualificatórias da Liga dos Campeões. Seguem um protocolo determinado que costuma durar três dias. Mais tempo do que o Itaquerão tem até a abertura.
Itaquerão, dois jogos: o que melhorou
Alimentação: mais lanchonetes, menos filas?
O número de lanchonetes abertas aumentou consideravelmente entre os dois primeiros jogos no Itaquerão. Ainda assim, as filas persistiram. Um dos motivos é que os funcionários ainda não estão plenamente treinados. Houve relatos de produtos vendidos por preços errados e até de venda de itens inexistentes no cardápio de algumas lanchonetes.
A Fifa começou a controlar o perímetro
No primeiro jogo, ambulantes trabalharam livremente no entorno do estádio e circularam até no terreno do Itaquerão. Essa foi uma das falhas mais gritantes, segundo todas as entidades que organizaram Corinthians x Figueirense. Em Corinthians x Botafogo, a Fifa assumiu o controle de perímetro. Isso incluiu a criação de bloqueio e a retirada de ambulantes irregulares. Houve cerca de 20 apreensões.
Estacionamento: só um pouco melhor
A CET melhorou a sinalização de estacionamento entre os dois jogos realizados no Itaquerão. Havia mais placas na segunda partida, mas o Comitê Paulista da Copa de 2014 ainda achou que a operação foi "singela". A expectativa do órgão é que a Fifa coloque indicações "mais agressivas" até o início do Mundial.
Iluminação: nada de torcedor no escuro
A falta de iluminação no entorno foi um dos maiores problemas identificados pela organização no primeiro jogo do Itaquerão. O Comitê Paulista para a Copa de 2014 chegou a cogitar a colocação de estruturas provisórias para compensar a deficiência dos postes. No segundo jogo, a colocação de mais postes foi suficiente para findar o problema no terreno do estádio e no caminho até o metrô.
Trânsito: operação igual, menos lentidão
Houve poucas mudanças significativas na operação de trânsito nas imediações do Itaquerão. No entanto, o índice de congestionamento na área no dia de Corinthians x Botafogo foi quase um quarto do que havia sido registrado na inauguração.
Em duas partidas, os problemas repetidos no Itaquerão
O problema do acesso
O segundo jogo do Itaquerão marcou a inclusão de procedimentos como o detector de metais com padrão da Fifa, mas Corinthians x Botafogo ainda registrou histórias de torcedores que tiveram dificuldade para acessar o estádio. A primeira triagem do segundo jogo, feita numa área distante do estádio, foi a mais complicada. Muita gente só conseguiu entrar depois que a bola já estava rolando.
Lugar marcado, mas não muito
No primeiro jogo do Itaquerão, torcedores compraram ingressos para setores inexistentes e tiveram muita dificuldade para sentar no local que o ingresso indicava. Para resolver isso, houve uma flexibilidade maior na segunda partida: lugares marcados só foram respeitados quando os compradores tomaram iniciativa de reclamar.
Visitantes ainda não são bem recebidos
Em dois jogos realizados no Itaquerão, a operação de ingressos para torcedores visitantes foi um dos principais problemas. Em Corinthians x Botafogo, membros de duas organizadas do time carioca foram barrados porque não conseguiram retirar os ingressos que haviam reservado. Eles culparam a Polícia Militar por informações desencontradas.
Goteiras até quando não chove
A operação do jogo inaugural do Itaquerão teve um desafio extra: a chuva. Isso escancarou alguns problemas no estádio, como goteiras na cobertura. Na segunda partida, a despeito da ausência de chuva, houve goteiras na estrutura metálica das arquibancadas móveis.
Cambistas seguem trabalhando no entorno do estádio
Pessoas revendendo ingressos foram flagradas nos dois jogos realizados no Itaquerão até aqui. Em Corinthians x Botafogo, um ingresso era vendido por R$ 500 a poucos metros do primeiro controle de acesso. O cambista ainda se oferecia para acompanhar o torcedor até o controle para assegurar que o ingresso seria aceito.
Do uolesportes