Padre Edi Fávero usa o esporte para evangelizar e para unir a comunidade (Foto: Arquivo Pessoal)
Dizem que não se discute futebol e religião. Tudo bem. Mas em David Canabarro, cidade no interior do Rio Grande do Sul, os dois temas ao menos se misturam. É que o padre Edi Fávero, responsável pela diocese, é colorado fanático. Daqueles de usar camisa do Inter no dia-a-dia, de atrasar horário da missa e até de ser rebocado numa carroça por torcedores gremistas.
A história da carroça surgiu de uma aposta que torcedores do Internacional e do Grêmio fizeram pelo título do Campeonato Gaúcho deste ano: o perdedor puxaria os torcedores adversários numa carroça pelas ruas de David Canabarro. Como os vermelhos golearam por 4 a 1, o padre Edi subiu no "veículo".
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- Sou colorado para me divertir e não me estressar. E quando surgiu a ideia da aposta, participei por ter espírito esportivo e em nome do bom relacionamento da comunidade. É que desde as eleições passadas a comunidade estava dividida, não estava em harmonia. A aposta foi um evento que reuniu todos, inclusive adversários políticos, numa brincadeira sadia. Foi uma festa - disse.
#FANÁTICO
A paixão pelo Inter começou quando Edi não era padre, ainda criança. Na ordenação, ele e outros padres colorados presentearam o bispo com uma camisa do time, que foi muito bem aceita. A comunidade, ao que parece, não vê problemas no fanatismo do vigário. Mais do que torcer, padre Edi passa uma importante mensagem para o seu rebanho:
- Tenho comigo que ficar em cima do muro nunca é bom em nenhuma situação. E aqui no Rio Grande não existem muitas opções: ou é colorado ou é gremista. Eu sou colorado fanático, não do ponto de vista religioso, mas de forma geral, sou fanático, sim. Tenho adesivos no carro, ando com camisa do Inter, posto fotos no Facebook e vou aos jogos sempre que posso. Mas sempre com muito respeito e num tom bem-humorado - justificou.
O clérigo usa o Inter para evangelizar. Tem um projeto que leva crianças ao Beira-Rio para entrar em campo ao lado dos jogadores.
- Sempre que posso vou assistir aos jogos em Porto Alegre. O Inter escolhe 40 crianças da capital e 40 do interior para entrar em campo e nós selecionamos crianças da região. Só temos os custos do transporte. As crianças ganham ingressos, alimentação, entram em campo e ainda sobra um tempo para bater uma bola. Com isso, desafiamos os gremistas a fazerem isso e todos ficam satisfeitos. O esporte é para isso - explicou.
#PELOFUTEBOL
Como fanático, o padre Edi já fez loucuras pelo seu time. Em missas irradiadas nos horários de jogos, o fone não sai do ouvido, mas a que ele considera maior foi atrasar o horário da missa no dia em que o Inter foi campeão mundial sobre o Barcelona.
- O jogo foi num domingo no começo da manhã, então, em comum acordo, atrasamos o começo da missa para terminarmos de assistir ao jogo.
De baixo da batina o padre não usa roupas do colorado, mas confessa que adora cerimônias que a liturgia exige o uso de paramentos vermelhos.
- Menos mal que não temos paramentos azuis - brincou.
Em terra de rivalidade, um padre "diferente" consegue unir uma comunidade. E o bispo, que é corintiano, não tem do que reclamar.